As Crises Financeiras
Pessimismo para 2010 - Dezembro de 2010
Segundo o renomado site Kitco, há cinco fatores graves que cooperam juntos
para apontar para uma piora ainda maior na crise econômica internacional,
inclusive, e segundo a mesma matéria do Kitco, uma piora que deverá sacudir as
Bolsas da América do Norte. São eles:
1- Chegam a $50 bilhões de dólares as dívidas não pagas por usuários de cartões
de crédito nos EUA.
2- O mercado de imóveis residenciais está em queda livre (tanto para imóveis
novos como para usados), com uma redução na compra de imóveis novos esperada
para cair ainda mais dramaticamente até o fim do primeiro semestre de 2010.
Estima-se que o desemprego nos EUA fará com que cerca de 10 milhões de novas
hipotecas (não as antigas, mas as novas) não sejam pagas.
3- A demanda por carros novos está se reduzindo de tal maneira que, acreditam,
poderá levar algumas indústrias de automóveis à total falência.
4- Também muitos empréstimos contraídos junto aos bancos para o financiamento de
novos empreendimentos imobiliários comerciais não deverão ser quitados.
Acreditam eles, muitos desses imóveis comerciais (para os quais já foram
liberados empréstimos) nem sequer começarão a sair da planta.
5- Muitas companhias de seguros já não estão mais conseguindo segurar a montanha
de papéis envolvendo investimentos frustrados em Real State. Algumas dessas
seguradoras, segundo o Kitco, eram tão poderosas, há 20 anos atrás, que podiam
até mover o curso da economia norte-americana. Elas ainda detém uma enorme
quantidade de ativos e também de dinheiro cash de muitos poderosos investidores.
E isto tudo sem falar na inflação reportada de 7%, a qual não para de subir.
Os pais da crise americana
(Por Olavo de Carvalho)
Se a folha de realizações criminosas dos movimentos revolucionários nas
democracias não pode, por definição, concorrer com o desempenho deles nas áreas
que dominam, nem por isso ela deixa de ser a causa principal de distúrbios e
sofrimentos, seja no Terceiro Mundo, seja nas nações desenvolvidas. Não há
crise, não há fome, não há violência, não há fracasso para o qual a proposta
revolucionária, nua e crua ou numa de suas inumeráveis versões camufladas, não
tenha dado sua contribuição essencial. Talvez o exemplo mais evidente esteja em
nosso próprio país, onde as gangues de criminosos jamais teriam chegado a
derramar o sangue de 40 mil brasileiros por ano se não fosse pela ajuda,
indireta e direta, que receberam dos revolucionários, primeiro mediante a
instrução em técnicas de organização e guerrilha, recebida dos terroristas
presos na Ilha Grande na década de 70, segundo pela sucessão de leis que esses
mesmos terroristas, anistiados e transfigurados em políticos, criaram para
proteger os criminosos e dificultar a ação da polícia, terceiro pela assistência
técnica e treinamento militar que as Farc hoje dão às quadrilhas nacionais.
Mas outro exemplo, não menos significativo, é o da crise econômica americana.
Especulações quanto às causas desse fenômeno pululam por toda a mídia
internacional, mas é um erro metodológico monstruoso buscar explicação em
supostas tendências gerais da economia e da sociedade quando se pode pôr à
mostra a seqüência precisa e determinada de ações individuais e grupais que
produziram o efeito. Muito da pretensa “ciência social” contemporânea consiste
em camuflar as causas concretas sob universais abstratos. Não espanta que, na
totalidade dos casos, os explicadores sejam ou os próprios agentes posando de
observadores externos, ou suas vítimas idiotizadas, empenhadas em anestesiar-se
mediante auto-injeções de pseudociência para não ter de enxergar a verdadeira
identidade de seus opressores.
Deixar-nos iludir por essa camuflagem é ainda mais inaceitável quando os agentes
do processo daninho não têm sequer de ser investigados a posteriori porque eles
mesmos legaram ao historiador a exposição escrita de seus planos e métodos. No
caso em questão, a derrubada da previdência social americana e do sistema
bancário que a sustenta não foi o efeito de uma confluência involuntária de
fatores anônimos, não foi nem mesmo o resultado de uma longa colaboração de
inépcias, mas foi a simples realização de um plano traçado desde a década de 60
por estrategistas de esquerda inspirados por Saul Alinksy, mais tarde o mentor
de um jovem estudante de Direito, Barack Hussein Obama.
O documento que o atesta acima de qualquer possibilidade de dúvida nada tem de
secreto. Foi publicado em 1966 na prestigiosa revista The Nation e até hoje
consta da lista dos dez artigos mais lidos da publicação desde sua fundação em
1886 (v. Richard A. Cloward e Frances Fox Piven, “The Weight of the Poor: A
Strategy to End Poverty”, The Nation, 2 de maio de 1966; uma cópia do artigo em
PDF pode ser obtida por três dólares na página de arquivos da revista; um
excelente resumo comentado encontra-se no artigo de James Simpson, “Barack Obama
e a estratégra da crise orquestrada”, traduzido para o português em
http://cavaleirodotemplo.blogspot.com/2009/01/barack-obama-e-estratgia-da-crise.html).
Os autores, Cloward e Piven, buscavam aí colocar em ação a regra ensinada por
Saul Alinsky, que ele mais tarde enunciaria por escrito em seu livro Rules for
Radicals, de 1971 (Vintage Books): “Faça o inimigo pôr em prática seu própria
manual.” A regra antecipa uma das táticas mais notórias da “guerra assimétrica”.
David Horowitz assim a interpreta:
“Quando pressionada a honrar cada palavra de cada lei e estatuto, cada princípio
moral judaico-cristão e cada promessa implícita do contrato social liberal, a
ação humana é inevitavelmente deficiente. O fracasso do sistema em ‘pôr em
prática’ o seu manual de regras pode então ser usado para desacreditá-lo
completamente e para substituir um manual capitalista por um socialista.” (V.
http://www.discoverthenetworks.org.)
A estratégia proposta por Cloward e Piven consistia, segundo Horowitz, em
“forçar uma mudança política através da crise orquestrada, ... procurava
acelerar a queda do capitalismo ao sobrecarregar a burocracia governamental com
uma enchente de demandas impossíveis, arrastando então a sociedade para uma
crise e um colapso econômico”. Mas não pensem que isso é interpretação proposta
por Horowitz. O texto original de Cloward e Piven é de uma clareza absolutamente
cínica:
“É nosso propósito pôr em ação uma estratégia que forneça a base para uma
convergência de organizações... Se essa estratégia for implementada, o resultado
será uma crise política que poderá levar a uma legislação que garanta uma renda
anual e portanto acabe com a pobreza.”
Cloward e Piven prosseguiam explicando que havia “um abismo de diferença entre
os direitos nominais assegurados pela previdência social e o número de pessoas
que desfrutavam efetivamente desses direitos. Se fosse possível localizar e
organizar esses beneficiários inatendidos e usá-los para pressionar os
institutos de previdência, estes não teriam dinheiro para atender à demanda e
entrariam fatalmente em colapso.” A proposta de uma legislação socialista
surgiria então, com aparente espontaneidade, como natural solução do problema.
Nas décadas que se seguiram, a estratégia foi aplicada à risca, arregimentando
milhões de beneficiários potenciais para que exigissem seus direitos em massa e
produzissem a crise. Na liderança desse movimento estava o grupo de ativistas
formado por Alinsky, entre os quais Barack Hussein Obama. A pletora de créditos
imobiliários fornecidos pelos bancos, sob pressão dos ativistas, a solicitantes
desprovidos das mínimas condições de pagar os empréstimos, foi a causa direta da
crise bancária eclodida em setembro de 2008.
Dois pontos essenciais do plano Cloward-Piven chamam imediatamente a atenção do
observador externo. De uma lado, a diferença entre duas concepções da
previdência social. No sistema capitalista, a previdência social é, por
natureza, um último recurso a que os cidadãos só devem recorrer em casos de
extrema necessidade. A prosperidade geral do sistema, esperava-se, deveria
prover por si o sustento das famílias, reduzindo a um mínimo as filas nos
guichês da previdência. Cloward e Piven reconhecem essa obviedade em teoria mas
adotam como estratégia ignorá-la na prática, forçando o direito virtual expresso
em lei a tornar-se uma garantia de atendimento imediato a todos os pretendentes
reais e potenciais, necessitados ou não. Entravam instantaneamente na fila,
portanto, desde os miseráveis genuínos (um número insignificante) até pessoas de
classe média baixa meramente insatisfeitas com a sua situação modesta:
“Para cada pessoa nas listas da previdência, há pelo menos mais uma que preenche
os critérios de legibilidade mas não está recebendo assistência. Essa
discrepância não é um acidente que emerga da ineficiência burocrática. É um
traço inerente do sistema previdenciário, o qual, se desafiado, precipitará uma
profunda crise financeira e política. A força para esse desafio, e a estratégia
que propomos, é um esforço maciço para recrutar os pobres e colocá-los nas
listas da previdência.”
Sob esse aspecto, a mera entrada em ação da campanha Alinsky-Cloward-Piven já
modificava radicalmente a natureza do sistema, transformando o Estado
liberal-capitalista num Estado previdenciário pré-socialista – e a falência
deste último seria então denunciada como crise do anterior.
De outro lado, o objetivo último proclamado – garantir uma renda anual estatal a
todos os pobres – se autodesmascarava imediatamente como farsa, pelo enunciado
mesmo do plano: se a previdência não tinha dinheiro nem para atender os direitos
já existentes no papel, como poderia tê-lo para arcar com um gasto imensamente
maior? “Acabar com a pobreza” não era o objetivo do plano: era apenas o pretexto
moral para gerar a crise. Esta era o único objetivo real, e não resta a menor
dúvida de que foi alcançado. Neste caso, como em muitos outros, o discurso
revolucionário apela a um objetivo utópico inatingível para viabilizar o esforço
por um objetivo prático perfeitamente atingível, só que propositadamente
desastroso. Se olharmos para a situação atual da economia americana, com o
sistema bancário agonizante e o desemprego crescendo dia após dia, e notarmos
que tudo isto foi feito sob a desculpa de “acabar com a pobreza”, é impossível
deixar de perceber que os autores da idéia jamais acreditaram nessa desculpa,
assim como os propugnadores de leis criminais mais brandas não acreditavam em
diminuir a criminalidade e os defensores da educação sexual nas escolas não
acreditavam em diminuir os casos de gravidez adolescente. Todas essas medidas e
muitas outras similares visam tão-somente a destruir o sistema capitalista por
meio de políticas assistenciais socialistas, calculadamente formuladas sob a
lógica do prejuízo. Não há nenhum motivo razoável para supor que os danos
resultantes fossem o puro efeito da inépcia ou da má administração. Foram
resultados calculados, alcançados mediante uma engenharia social notavelmente
eficaz. Trata-se, sempre e invariavelmente, de fazer o “sistema” pagar pelas
culpas de seus agressores.
(Fonte: Mídia sem Máscara)
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